O Motim do Caine - Herman Wouk

18:39


O Caine é um velho navio de guerra que não fez muito pelos Estados Unidos em matéria de combate, mas em alto mar ofereceu muitas aventuras aos seus tripulantes. Entre eles Willie Keith, um jovem de uma família abastada que deixará seus dias de pianista e universitário culto para se tornar um oficial da Marinha. No Caine, Willie e seus amigos serão testemunha de um episódio que ficará para a história.

A mãe de Willie Keith o acompanhou na sua apresentação à Marinha como se estivesse indo levar o filho ao primeiro dia de aula na creche. Esse extremo cuidado mostra que o jovem Keith vivera até ali uma vida de mimo e luxos. De certo não é isso que ele encontra ao chegar a bordo do Caine, um ferro-velho de navio que por algum motivo ainda está em combate. Mas agora ele é um oficial e seu dever é lutar para proteger o país.

A primeira ocupação de Keith é decodificar as mensagens de ordem que chegam a bordo. Trabalho que ele faz com competência até o dia que por um descuido uma dessas mensagens é esquecida no bolso da calça e depois encharcada de água. O comandante de Vriess pune Keith pelo ocorrido, mas não deixa de acreditar no potencial do rapaz.

Dali a algumas semanas o comandante de Vriess encerra seus trabalhos na Marinha americana e no seu lugar assume o comandante Queeg, um homem que não será tão simpático com seus subordinados quanto seu sucedido. É sob o comando deste que Keith e seus amigos passarão as situações mais embaraçosas no Caine. Uma dessas situações dará margem ao Motim, a saída que os tripulantes encontraram para salvar o navio do comando de um oficial aparentemente incapaz de gerir uma tripulação no meio de uma guerra.

Eu fiquei um pouco traumatizada com histórias desse tipo desde Histórias do Pacífico Sul, uma narrativa onde precisei de muita paciência e força de vontade para chegar até o fim. Porém, a novela de Herman Wouk (que também serviu na Marinha e isso, acredito eu, inspirou o personagem Steve Keef) é eficaz em prender o leitor aos acontecimentos inusitados do Caine enquanto o mundo se acaba em uma guerra mar adentro. 

É bastante interessante também a história que Keith conserva fora do navio, como seu romance com a cantora May. Ela pouco aparece, mas seus momentos ajudam a entender como nosso jovem oficial encara a vida de privilégios.

Há muitas cenas de combate e várias referências náuticas e guerrilheiras, o que sustenta muito bem o contexto onde se passa a narrativa. Os conflitos com o velho Queeg, ilustrados pelas figuras de Ed Vebell em algumas páginas, chegam a ser até engraçados. “Que velho doido!”, me peguei pensando várias vezes. 

A versão que eu li é uma condensação da original e talvez por isso a leitura tenha sido rápida e dinâmica. O que me fez aprender a não mais subestimar histórias de guerra. Em alguns casos, como esse, não é só Boom! Boom! Boom!


Sobre o autor
A carreira de Herman Wouk foi em grande parte determinada pela Segunda Guerra Mundial. Depois de graduar-se pelo Columbia College em 1934, trabalhou durante alguns anos para Fred Allen, como redator. Em 1941 ingressou no Departamento do Tesouro com um salário nominal e colaborou na produção de shows radiofônicos para vender obrigações de guerra. No ano seguinte alistou-se na Marinha.


Título: O Motim do Caine
Editora: Ypiranga
Ano: 1967
Páginas: 214
Avaliação do Skoob: 4.3
Avaliação do Blog: 3.5


Você pode gostar também

0 comentários

Onde Comprar

Facebook