CINELITERATURA: Grandes Esperanças

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Na última semana postei aqui no blog a resenha do livro Grandes Esperanças, um clássico da literatura que conta a história de Pip, um menino pobre que enriquece depois de receber uma herança de um benfeitor misterioso. Hoje volto aqui para comentar sobre a última adaptação cinematográfica da obra de Charles Dickens. Sim, última, porque até agora três filmes foram produzidos baseados no livro. 

A primeira versão nas telonas foi uma produção britânica em 1946, em preto e branco ainda, com direção de David Lean e John Millis (Mr. Bean – o filme, Hamlet) no papel de Pip e Martita Hunt (Aquela Casa em Londres, Bunny Lake Desapareceu) como Estella. O filme ganhou o Oscar de 1948 nas categorias Melhor Fotografia Preto-e-Branco e Melhor Direção Artística, além de ter sido indicado como Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro.

Srta. Havisham e Estella na produção de 1946

Em 1998, Alfonso Cuarón dirigiu a adaptação moderna de Grandes Esperanças e trouxe nos papéis principais o jovem Finnegan Bell, e não Pip, interpretado pelo ator Ethan Hawke (Sete Homens e um Destino, Terra Violenta) e sua amada Estella, vivida por Gwyneth Paltrow (Homem de Ferro 3, Os Vingadores – The Avengers). 

Bell e Estella, produção de 1998

Mas, como já dito, a versão que escolhi assistir foi a produzida em 2012, dirigida por Mike Newell. Entre alguns dos personagens principais estão os atores Jeremy Irvine (Uma Longa Viagem, Agora e Para Sempre) como Pip; Helena Bonham Carter (Alice Através do Espellho, As Sufragistas) como a Sra. Havisham e Holliday Grainger (Horas Decisivas, Cinderela – 2012) interpretando Estella.

Estella e Pip na infância, produção de 2012

O filme começa mostrando a infância de Pip, como teria que ser para que a história tivesse sentido no final, já que ali acontecerão fatos importantíssimos. Pip é igualmente maltratado por sua irmã mais velha, Sra. Gargery, e tem como melhor amigo seu cunhado Joe, casal que cuida dele desde que seus pais morreram, há muito tempo. 

Pip, ainda criança, é chamado até a casa da Srta. Havisham para satisfazer suas distrações, já que ela é uma senhora que vive reclusa desde que fora abandonada no dia do seu casamento e passa o dia inteiro em sua casa sem ver a luz do sol. As visitas até a mansão fazem com que Pip se apaixone por Estella, filha adotiva da Srta. Havisham, com quem ele é obrigado a brincar todos os dias e assim entreter a dona da casa. Estella, no entanto, tem o coração frio tal qual sua mãe. 

Pip e Srta. Havisham, produção de 2012

O filme está incrivelmente fiel ao livro, o que para alguns críticos de cinema foi um aspecto ruim, mas é assim que nós gosta, né non? Risos. 

Joe foi reproduzido igualmente adorável como no personagem original de Charles Dickens. Sempre gentil e protetor de Pip, sua lealdade é um aspecto obrigatório em qualquer adaptação. Sua mulher, a Sra. Gargery, teve um destino diferente e sua participação aqui é bem pequena. Ainda bem. Mulher doida de pedra. 

Depois que Pip recebe sua fortuna misteriosa e vai para Londres, passa a conviver com Herbert, interpretado por Olly Alexander (As Viagens de Gulliver, Brilho de Uma Paixão), um jovem que logo se tornará seu grande amigo, inclusive na missão de acabar com a herança de Pip em farras e coisas inúteis. 

Como eu disse na primeira postagem do Cineliteratura, não sou nenhuma crítica de cinema, e essa coluna serve apenas para fazer comentários dos filmes baseados nos livros que eu li, então não sei se minha opinião sobre alguns aspectos técnicos serão relevantes, mas vamos lá. Gostei muito do figurino dos personagens, todos elegantes e bem caracterizados para a época. Os cenários são bem restritos aos ambientes, sem muitas cenas em plano aberto, então não espere para ver como Londres era naquela época. 

Achei muito interessante que até mesmo alguns diálogos foram reproduzidos com fidelidade, o que deixou ainda mais real a sensação de “assistir ao livro”. A escolha de um ator bonitinho para interpretar Pip deu um ar de contos de fada, príncipe-princesa, para a história, e não ficou ruim. Além da trilha que também ajudou nessa construção.

Pip e Estella adultos, produção de 2012

O benfeitor misterioso de Pip aparece no meio do filme e a partir daí começam os conflitos que dão o tchan em toda história de cinema. Pip se vê embaraçado com a reviravolta que a chegada dessa pessoa provoca e aí também começam suas reflexões sobre o homem que ele se tornou. Há cenas muito sensíveis nessa parte. Ah! No filme é muito mais revoltante ver como esse cavalheiro trata Joe em algumas cenas, pois nosso ferreiro querido não merece, então vai ter raivinha sim.

No mais, antes que eu dê spoiler, resumo dizendo que achei muita satisfatória a produção como um todo e gostaria ainda que não tivesse lido o livro. Não achei na Netflix e no Youtube o vídeo está muito ruim, mas foi lá mesmo que assisti, pois já que não tem tu, vai tu mesmo. Até a próxima!




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