A caderneta vermelha - Antoine Laurain

12:00



Imagine  em um dia normal, andando pela rua, encontrar uma bolsa feminina jogada em cima de uma lixeira e a partir dali sua vida mudar considerável e deliciosamente? 

Esse é o começo de uma bela história na vida de Laurent, um livreiro de Paris, divorciado, pai de uma filha adolescente e apaixonado pelo seu negócio que envolve lidar com livros, escritores e leitores todos os dias. Quando ele encontra uma bolsa lilás, remexida e aparentemente fruto de um assalto já finalizado, ele decide levar o objeto pra casa e tentar, de alguma forma, encontrar a dona e devolver seus pertences perdidos. 

A primeira iniciativa é ir até o posto de polícia mais próximo, mas ao ver que dentro da bolsa existem objetos tão pessoais e íntimos, como um espelho antigo, um chaveiro personalizado e uma caderneta vermelha que funciona como um diário, ele pensa que a seção de achados e perdidos de uma delegacia não é o melhor lugar para ela, e sim as mãos da proprietária. 

Revirando a bolsa, num ímpeto de invasão necessária, ele tenta achar algo que o possa levar a identidade da moça. Mas o ladrão levara a carteira com os documentos e o celular, e tudo o que Laurent tem é um livro com um autógrafo para alguém que se chama Laure. Como encontrar a Laure certa em uma cidade como Paris?

Enquanto isso, no hospital, uma moça está em coma depois de ter sofrido um assalto e uma pancada na cabeça que a fez sangrar até perder a consciência. 

O livro me lembrou o filme E Se Fosse Verdade, estrelado por Reese Witherspoon e Mark Ruffalo, onde a mulher também está em coma, enquanto o homem mora em sua casa, agora alugada, e os dois se comunicam, ele no mundo real e ela só em espírito. Em A Caderneta Vermelha Laure não sai de seu corpo para manter o contato com ninguém, mas Laurent, por outro lado, vai em busca dela através das poucas pistas que tem. O autor que autografou o livro para ela, o recibo da lavandeira, o chaveiro com algo escrito em hieróglifo. Aos poucos ele vai montando o quebra-cabeça e de repente está na porta de Laure tocando a campainha.

É um romance simples, mas criativo. Doce e cativante. A leitura é suave, o autor contextualiza e descreve os cheiros, os sabores e o clima de Paris como um romance dessa perspectiva pede. Sem antagonistas personalizados, os obstáculos que separam Laurent e Laure são apenas o tempo e os desencontros acidentais. É uma história para ler no fim da tarde, espreguiçado na varanda, sentindo a delicadeza da vida.

Sobre o autor
Antoine Laurain nasceu em Paris nos anos 1970. Formado em cinema, atua como roteirista e diretor. É também jornalista e colecionador de antiguidades. Escreveu cinco romances, entre eles Le Chapeau de Mitterrand, que recebeu o prêmio Landerneau Découvertes e foi adaptado para a TV na França. A caderneta vermelha é seu primeiro livro publicado no Brasil.

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