não ficção

Seja Feliz Hoje: o caminho do contentamento - Helena Tannure

20:34


Se você está precisando de uma mensagem de fé e sabedoria cristã, Helena Tannure é a mulher que escreve como se estivesse em uma conversa íntima com você. Acolhendo suas angústias, aconselhando e transmitindo o que ela sabe sobre os ensinamentos de Cristo. Nesse livro direcionado para mulheres ela fala sobre força, alegria, satisfação pessoal e muitas outras questões pertinentes ao universo feminino. 

Helena Tannure é conhecida por suas pregações que vão direto ao ponto, que convidam à reflexão profunda sem meias palavras. Ela é boa em falar de mulher para mulher, sem esconder que é como qualquer uma de nós, com fraquezas, dúvidas, problemas. Seus diálogos sempre aproximam o público, para que a gente se sinta perto e confortável para abrir nossos corações para a mensagem cristã que ela busca passar. Não faltam vídeos dela no Youtube e se você é cristão fica aqui a minha sugestão para ouvi-la. 

Em Seja Feliz Hoje: o caminho do contentamento, não é diferente. A sensação é a mesma, de que Helena chamou você para uma conversa franca e decisiva. Com uma linguagem extremamente simples, mas ao mesmo tempo rica, ela vai desdobrando temas como feminismo, aceitação pessoal, profissão, autoimagem, de uma forma que responde as suas perguntas ainda que você nem sequer tenha pensando em uma antes de começar a ler. 

Todos os temas são tratados com base na nossa vivência de hoje, na correria do século XXI, na felicidade que não sabemos onde buscar. Helena Tannure aponta que muitas vezes vamos pelo caminho errado, esquecendo que a Bíblia nos dá todas as diretrizes para sermos de fato felizes, um dia de cada vez. A mensagem principal do livro é essa: seja feliz hoje. O amanhã só a pertence a Deus, e de tantos nos preocuparmos com o futuro esquecemos de viver o presente. Uma frase extremamente clichê, mas que tem fundamento e a autora mostra isso através de reflexões com base em passagens bíblicas. Através das páginas vamos aprendendo a ser mais gratos e humildes, a lidar com as situações difíceis lembrando que elas fazem parte da nossa existência, e principalmente a deixar de lado nosso protagonismo e dar lugar para Deus conduzir nossa vida. 

Ao final de cada capítulo há uma série de perguntas a serem respondidas com nossas reflexões pessoais, todas simples e diretas. Embora siga esse modelo de escrita, não considerei um livro de autoajuda, mas sim um livro que instiga a leitora ao autoconhecimento. Helena ainda fala um pouco de sua vida pessoal e de provações pelas quais ela passou e como ela superou esses dias ruins. É uma mensagem de fé, esperança e motivação, onde ela pretende nos tocar e nos fazer acordar pra vida. Sempre com os olhos direcionados para Deus. 


Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece. 
Filipenses 4.10-13


Sobre o autor
Helena Tannure é palestrante nas áreas de caráter cristão, família, arte, papel da mulher, louvor e intercessão. Atuou como cantora de apoio do Ministério de Louvor e Adoração Diante do Trono, onde, junto com seu esposo, também participou da criação do Centro de Treinamento Ministerial Diante do Trono. Como apresentadora de televisão, tem em seu currículo programas como Diante do Trono, Chá das Quatro, Clube 700 e Na Hora H.


Título: Seja Feliz Hoje: o caminho do contentamento
Editora: Mundo Cristão
Ano: 2014
Páginas: 160
Avaliação do Skoob: 4.3
Avaliação do Blog: 3.5

ficção científica

O Guia do Mochileiro das Galáxias (Volume I) - Douglas Adams

20:34


Arthur Dent é um cara normal, inglês, simpático, e com a casa prestes a ser demolida para que um desvio seja construído no lugar. Não bastasse esse infortúnio em plena quinta-feira de sol, seu amigo Ford Prefect ainda aparece para dizer com bastante convicção que o mundo vai se acabar dali a alguns minutos e é melhor eles se apressarem se quiserem ter uma chance de sobreviver em um outro planeta. 

Ford Prefect definitivamente não é uma pessoa normal. Não por aparecer com essa história de fim do mundo – ele estava certo! –, mas por ser um alienígena vivendo disfarçado na Terra. Para quê? Para uma pesquisa de campo da sua nova edição de O Guia do Mochileiro das Galáxias, uma espécie de Wikipédia dos Universos.

Quando o planeta que Arthur Dent tanto conhece e tanto gosta realmente se reduz a nada, ele e Ford vão parar em uma nave no meio do espaço e a partir daí as aventuras não param mais. De nave em nave, de planeta em planeta, os dois ainda esbarram em robôs mal humorados, ratos falantes, criaturas esquisitas e na busca pela resposta à questão fundamental sobre a Vida, o Universo e Tudo Mais. 

Ainda que você nunca tenha lido O Guia do Mochileiro das Galáxias, assim como eu até aqui, com certeza já ouviu falar. Como leiga em ficção científica, fiz umas pesquisas e descobri que além de ser um clássico do segmento, esse livro ainda é uma grande referência para a cultura pop (aparentemente todo mundo sabia disso, menos eu, mas ok). O que significa que essa resenha será mais direcionada para outros leigos que de repente se interessarem pelo assunto, pois acredito que para os fãs da saga ela pouco acrescentará não é mesmo?

Apesar de tratar sobre temas intergalácticos, alienígenas, naves espaciais e computadores superinteligentes, esse é um livro de comédia. De comédia de verdade, então não duvide que se pegará dando gargalhada das frases bem elaboradas por Douglas Adams. E o melhor: comédia com crítica, sarcasmo, piadas sobre política, burocracias da modernidade, arte, poesia. Você ri dos absurdos e nem se lembra que passa por eles todos os dias no mundo real.

É verdade que os acontecimentos não seguem uma linha lógica, tudo parece ser aleatório e não fazer sentido nenhum. Mas talvez essa seja a graça maior do livro. Nos tirar da rotina cansada e nos fazer viajar pelos confins do Universo. Nesse primeiro volume, por exemplo, Arthur Dent começa e termina o dia (dias terrestres, importante frisar) com a roupa que deitou na lama para impedir que o trator passasse por cima de sua casa. 

O prefácio diz que você não precisa entender de física nuclear para gostar do livro, mas se entender conseguirá pegar algumas sacadas da área no ar (claro que eu não peguei nenhuma). Mas ainda que não seja sua praia, a leitura é leve e divertida. As frases e os capítulos são curtos, o autor não perde muito tempo descrevendo os cenários pois o importante são os diálogos engraçados e as situações inusitadas que os personagens irão encontrar. 

Esse é o primeiro da Trilogia de Cinco (sim) e sem dúvidas lerei os outros, ainda que não saiba nada de ficção científica. Histórias simpáticas e dispostas a nos carregar para outra dimensão certamente me atraem.


Sobre o autor
Douglas Adms foi um escritor, roteirista e humorista inglês que ficou conhecido pela saga O Guia do Mochileiro das Galáxias. Também desenvolveu roteiros para as séries Monty Python e Doctor Who. Apesar de ter finalizado os cinco livros da saga, Adams era conhecido por detestar deadlines e sempre adiar a entrega de trabalhos. O autor morreu em 2001, aos 49 anos de idade, devido a um ataque cardíaco.


Título: O Guia do Mochileiro das Galáxias
Editora: Arqueiro
Ano: 2010
Páginas: 156
Avaliação do Skoob: 4.3
Avaliação do Blog: 3.0


romance

As Regras da Casa de Sidra - John Irving

18:05


St. Cloud’s é uma pequena cidade localizada no Maine, EUA, onde existe um orfanato conhecido pelos trabalhos que são oferecidos a mulheres: partos e abortos. Os bebês não desejados se dividem entre os que nascem e viram órfãos, e entre os que nem chegam a nascer. É nesse lugar que nasce Homer Wells, um garoto preocupado em ser de utilidade e que aprenderá, por força das circunstâncias, coisas que lhe serão úteis para a vida inteira. 

O Dr. Wilbur Larch começou no negócio de abortos para ajudar mulheres vítimas de estupro e incestos. Ao se tornar diretor do hospital e orfanato de St. Cloud’s, ele e suas fiéis companheiras de trabalho, as enfermeiras Edna e Angela, não imaginaram que tornariam o lugar uma referência para mulheres que não desejavam seus bebês. Naquela época, começo do século XX, o aborto era ilegal e imoral no país. 

Homer Wells nasce pelas mãos do Dr. Larch e nunca saberá quem foi sua mãe e porque ela o deixou ali. Ele é adotado três vezes e depois de três tentativas frustradas decide que não quer mais ser adotado e que St. Cloud’s é o seu lugar. Na divisão de meninos ele é um garoto diferenciado, preocupado com os órfãos mais novos, prestativo, e muito aplicado na sua função de ler Grandes Esperanças e David Copperfield para os colegas de quarto antes de dormir. Obras do seu autor preferido, Charles Dickens. 

Já adolescente Homer começa um relacionamento às avessas com Melony, a maior e mais áspera órfã da ala meninas. Melony é independente, carrancuda, raivosa e forte (literalmente), do tipo que jamais levará desaforo para casa e que não pensa duas vezes antes de usar a violência como solução de conflitos. Ela, diferente de Homer, quer viver em outro lugar e saber quem é sua mãe. 

Nessa mesma época Homer descobre porque tantas mulheres aparentemente não grávidas buscam o hospital e o que o Dr. Larch faz por elas. O médico decide então que está na hora do seu órfão mais especial aprender como fazer abortos e ser seu aprendiz para dali a alguns anos virar um parteiro e aborteiro a mais no lugar. Acontece que o garoto cresce no ofício, mas não concorda com ele. 

Depois de alguns anos de experiência e no começo da juventude, Homer conhece Candy e Wally, um casal mais ou menos da sua idade que vai até St. Cloud’s à procura de um aborto para Candy. A gravidez não planejada e antes do casamento era uma má ideia. Os três ficam amigos e Wally convida Homer para ajudá-lo por algum tempo a administrar sua fazenda, já que o pai sofre de Alzheimer (ainda em fase de descoberta na época) e não tem mais condições de gerenciar os negócios. Dr. Larch, preocupado que Homer tenha um futuro (fazer uma faculdade de medicina, por exemplo), insiste para que ele vá e ele concorda, contanto que seja apenas por algumas semanas. Homer nunca mais voltará definitivamente para St. Cloud’s. 

Com a proximidade constante do casal de amigos, Homer, que passou a viver na casa de Wally, se apaixona por Candy, e ela por ele, de certa forma, mas os dois são impedidos de viver qualquer tipo de relacionamento pela culpa com relação a Wally. Isso muda depois que ele decide servir na guerra e desaparece após um ataque ao avião que pilotava. Homer e Candy viram amantes e dos dois nasce Angel, que para todos os efeitos é filho adotivo de Homer, a quem Candy presta toda a ajuda na criação. Essa mentira perdurará por anos a fio. 

Para mim, é a partir desse ponto que a história começa a ficar de fato interessante. Percebam que muita coisa acontece até aqui, ainda que não aconteça nada de extraordinário. Do início até a meio acompanhamos a infância de Homer, seu relacionamento estritamente sexual com Melony e o processo de aprendizado da obstetrícia com o Dr. Larch. Porém, John Irving conseguiu fazer com que essa parte da narrativa não se tornasse um mero passar dos dias em St. Cloud’s, mas sim a descrição de uma rotina que vai moldando os personagens ao mesmo tempo que conta histórias paralelas e desperta nosso interesse em “assistir”.

A família de Wally cultiva maçãs e produtos derivados delas. A casa de sidra é o lugar onde os colhedores ficam hospedados na época da colheita, e ela só aparece na história quando Homer se muda para a fazenda, então eu demorei bastante para entender o título rs. Todos os anos os mesmos trabalhadores são convocados e algumas semanas depois vão embora. As regras versam sobre o que eles podem ou não fazer na casa, como não subir no telhado bêbados – a vista de lá é bastante atraente – ou não ferir uns aos outros com gravidade. A cada ciclo de colheita as mesmas regras são coladas na parede, e a cada ciclo eles dizem que têm suas próprias regras.

Muitas coisas acontecerão nesta casa, mas ainda assim não acho que ela merecia o título. Todos os colhedores que passarão por ela serão negros e as questões sobre racismo aparecem sem nenhum disfarce, como tema tão relevante quanto o aborto. Sobre este há os dois discursos iguais aos que ouvimos comumente hoje: de um lado, Dr. Larch diz que não há justiça em impedir que as mulheres não decidam sobre seus próprios corpos, e do outro Homer Wells é firme em defender a vida legítima de um feto. 

A vida de Homer é contada até os seus 40 anos e em nenhum momento vemos alguém preocupado apenas consigo ou com sua própria felicidade. Aqui está a busca pela utilidade: se podia ajudar os outros, por que não o fazer? Todas as circunstâncias foram adaptadas para sua satisfação pessoal. Sem reclamações, sem muitas lágrimas. Homer aceitava seu destino e encontrava nele um modo de viver bem. Para Dr. Larch, ele será sempre um filho amado pronto para ser recebido de braços abertos quando decidir voltar para casa. 

Apesar de tratar sobre um tema polêmico, o livro não busca mostrar quem está certo ou errado – ou se há um certo ou um errado – sobre aborto, mas que existem dois lados e esses dois lados são perfeitamente compreensíveis dentro dos seus argumentos. Se você já pensou sobre o assunto com certeza encontrará uma de suas defesas nos debates proferidos no decorrer da história. E da mesma forma que o Dr. Larch nunca tenta convencer Homer Wells a continuar fazendo abortos, Homer Wells nunca tenta impedir que o médico continue fazendo. Isso mostra que as opiniões contrárias são respeitadas e que deveríamos ser mais Homer e Larch em sociedade.


Sobre o autor
Autor de diversos best-sellers, alguns dos quais foram adaptados para o cinema. Em 2000, ganhou o Oscar de melhor roteiro adaptados por Regras da Vida.


Título: As Regras da Casa de Sidra
Autor: John Irving
Editora: Rocco
Ano: 2013
Páginas: 672
Avaliação do Skoob: 4.2
Avaliação do Blog: 5.0

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