contos

Vozes Anoitecidas - Mia Couto

20:48


Onze contos que passeiam entre a fantasia e a realidade através do talento de Mia Couto nos revelam sujeitos simples, cheios de personalidade e com conflitos próprios. Com forte influência da cultura nativa, somos imersos em histórias com desfechos inesperados e enredos inesperados. E em cada uma delas há um ponto a ser absorvido.

Acho difícil fazer resenha de coletânea de contos pelo simples motivo de que ou falo individualmente de cada conto, caindo em um lenga-lenga sem fim, ou exponho a coleção como um todo e corro o risco de generalizar as impressões. Vou tentar ficar entre as duas estratégias.

Cada conto de Vozes Anoitecidas (e pela primeira vez vejo um título que não é também o título de um dos contos, achei interessantíssimo) carrega sua própria dose de fantasia. Alguns têm mais, outros menos. O último aviso do corvo falador, por exemplo, é fantasioso desde quando o personagem tosse e cospe um corvo até quando o pássaro vira uma espécie de médium que dá aos vivos a oportunidade de se comunicar com os mortos queridos. 

Uma história que me tocou bastante foi O dia em que explodiu Mabata-bata, sobre um menino que trabalhava como vaqueiro para o seu tio, mas tudo o que ele mais queria era poder ir para escola. 

Isso mostra que todos os personagens de Mia Couto neste livro passam por dificuldades e tentam de alguma forma superá-la ou sobreviver a ela. Em A menina de futuro torcido um pai tenta a todo custo treinar a sua filha para que ela seja uma contorcionista e ganhe dinheiro com apresentações por cidades afora, sem perceber que a está matando com os exercícios excessivos.

O livro é bem curtinho e dá pra ler em uma sentada. Os contos, proporcionalmente curtos, em nenhum momento deixam de ser bons por conta de suas extensões. E, para mim, escrever assim é um talento incrível. Em poucas frases o autor envolve os leitores em cada história, em cada lugar onde as cenas se passam, em cada personagem – às vezes nos dando até a oportunidade de conhecer um pouco de seus passados. 

Por fim, fica a aqui a lista dos meus contos preferidos no livro: O dia em que explodiu Mabata-bata, As baleias de Quissico, De como o velho Jossias foi salvo das águas.


Sobre o autor
Antônio Emílio Leite Couto, mais conhecido por Mia Couto, nasceu em 5 de Julho de 1955 na cidade da Beira em Moçambique. É filho de uma família de emigrantes portugueses. Atualmente é o autor moçambicano mais traduzido e divulgado no exterior e um dos autores estrangeiros mais vendidos em Portugal. As suas obras são traduzidas e publicadas em 24 países. Várias das suas obras têm sido adaptadas ao teatro e cinema. Tem recebido vários prêmios nacionais e internacionais, por vários dos seus livros e pelo conjunto da sua obra literária.


Título: Vozes Anoitecidas
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2016
Páginas: 152
Avaliação do Skoob: 4.1
Avaliação do Blog: 3.0

novela

O Motim do Caine - Herman Wouk

18:39


O Caine é um velho navio de guerra que não fez muito pelos Estados Unidos em matéria de combate, mas em alto mar ofereceu muitas aventuras aos seus tripulantes. Entre eles Willie Keith, um jovem de uma família abastada que deixará seus dias de pianista e universitário culto para se tornar um oficial da Marinha. No Caine, Willie e seus amigos serão testemunha de um episódio que ficará para a história.

A mãe de Willie Keith o acompanhou na sua apresentação à Marinha como se estivesse indo levar o filho ao primeiro dia de aula na creche. Esse extremo cuidado mostra que o jovem Keith vivera até ali uma vida de mimo e luxos. De certo não é isso que ele encontra ao chegar a bordo do Caine, um ferro-velho de navio que por algum motivo ainda está em combate. Mas agora ele é um oficial e seu dever é lutar para proteger o país.

A primeira ocupação de Keith é decodificar as mensagens de ordem que chegam a bordo. Trabalho que ele faz com competência até o dia que por um descuido uma dessas mensagens é esquecida no bolso da calça e depois encharcada de água. O comandante de Vriess pune Keith pelo ocorrido, mas não deixa de acreditar no potencial do rapaz.

Dali a algumas semanas o comandante de Vriess encerra seus trabalhos na Marinha americana e no seu lugar assume o comandante Queeg, um homem que não será tão simpático com seus subordinados quanto seu sucedido. É sob o comando deste que Keith e seus amigos passarão as situações mais embaraçosas no Caine. Uma dessas situações dará margem ao Motim, a saída que os tripulantes encontraram para salvar o navio do comando de um oficial aparentemente incapaz de gerir uma tripulação no meio de uma guerra.

Eu fiquei um pouco traumatizada com histórias desse tipo desde Histórias do Pacífico Sul, uma narrativa onde precisei de muita paciência e força de vontade para chegar até o fim. Porém, a novela de Herman Wouk (que também serviu na Marinha e isso, acredito eu, inspirou o personagem Steve Keef) é eficaz em prender o leitor aos acontecimentos inusitados do Caine enquanto o mundo se acaba em uma guerra mar adentro. 

É bastante interessante também a história que Keith conserva fora do navio, como seu romance com a cantora May. Ela pouco aparece, mas seus momentos ajudam a entender como nosso jovem oficial encara a vida de privilégios.

Há muitas cenas de combate e várias referências náuticas e guerrilheiras, o que sustenta muito bem o contexto onde se passa a narrativa. Os conflitos com o velho Queeg, ilustrados pelas figuras de Ed Vebell em algumas páginas, chegam a ser até engraçados. “Que velho doido!”, me peguei pensando várias vezes. 

A versão que eu li é uma condensação da original e talvez por isso a leitura tenha sido rápida e dinâmica. O que me fez aprender a não mais subestimar histórias de guerra. Em alguns casos, como esse, não é só Boom! Boom! Boom!


Sobre o autor
A carreira de Herman Wouk foi em grande parte determinada pela Segunda Guerra Mundial. Depois de graduar-se pelo Columbia College em 1934, trabalhou durante alguns anos para Fred Allen, como redator. Em 1941 ingressou no Departamento do Tesouro com um salário nominal e colaborou na produção de shows radiofônicos para vender obrigações de guerra. No ano seguinte alistou-se na Marinha.


Título: O Motim do Caine
Editora: Ypiranga
Ano: 1967
Páginas: 214
Avaliação do Skoob: 4.3
Avaliação do Blog: 3.5


não ficção

Seja Feliz Hoje: o caminho do contentamento - Helena Tannure

20:34


Se você está precisando de uma mensagem de fé e sabedoria cristã, Helena Tannure é a mulher que escreve como se estivesse em uma conversa íntima com você. Acolhendo suas angústias, aconselhando e transmitindo o que ela sabe sobre os ensinamentos de Cristo. Nesse livro direcionado para mulheres ela fala sobre força, alegria, satisfação pessoal e muitas outras questões pertinentes ao universo feminino. 

Helena Tannure é conhecida por suas pregações que vão direto ao ponto, que convidam à reflexão profunda sem meias palavras. Ela é boa em falar de mulher para mulher, sem esconder que é como qualquer uma de nós, com fraquezas, dúvidas, problemas. Seus diálogos sempre aproximam o público, para que a gente se sinta perto e confortável para abrir nossos corações para a mensagem cristã que ela busca passar. Não faltam vídeos dela no Youtube e se você é cristão fica aqui a minha sugestão para ouvi-la. 

Em Seja Feliz Hoje: o caminho do contentamento, não é diferente. A sensação é a mesma, de que Helena chamou você para uma conversa franca e decisiva. Com uma linguagem extremamente simples, mas ao mesmo tempo rica, ela vai desdobrando temas como feminismo, aceitação pessoal, profissão, autoimagem, de uma forma que responde as suas perguntas ainda que você nem sequer tenha pensando em uma antes de começar a ler. 

Todos os temas são tratados com base na nossa vivência de hoje, na correria do século XXI, na felicidade que não sabemos onde buscar. Helena Tannure aponta que muitas vezes vamos pelo caminho errado, esquecendo que a Bíblia nos dá todas as diretrizes para sermos de fato felizes, um dia de cada vez. A mensagem principal do livro é essa: seja feliz hoje. O amanhã só a pertence a Deus, e de tantos nos preocuparmos com o futuro esquecemos de viver o presente. Uma frase extremamente clichê, mas que tem fundamento e a autora mostra isso através de reflexões com base em passagens bíblicas. Através das páginas vamos aprendendo a ser mais gratos e humildes, a lidar com as situações difíceis lembrando que elas fazem parte da nossa existência, e principalmente a deixar de lado nosso protagonismo e dar lugar para Deus conduzir nossa vida. 

Ao final de cada capítulo há uma série de perguntas a serem respondidas com nossas reflexões pessoais, todas simples e diretas. Embora siga esse modelo de escrita, não considerei um livro de autoajuda, mas sim um livro que instiga a leitora ao autoconhecimento. Helena ainda fala um pouco de sua vida pessoal e de provações pelas quais ela passou e como ela superou esses dias ruins. É uma mensagem de fé, esperança e motivação, onde ela pretende nos tocar e nos fazer acordar pra vida. Sempre com os olhos direcionados para Deus. 


Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece. 
Filipenses 4.10-13


Sobre o autor
Helena Tannure é palestrante nas áreas de caráter cristão, família, arte, papel da mulher, louvor e intercessão. Atuou como cantora de apoio do Ministério de Louvor e Adoração Diante do Trono, onde, junto com seu esposo, também participou da criação do Centro de Treinamento Ministerial Diante do Trono. Como apresentadora de televisão, tem em seu currículo programas como Diante do Trono, Chá das Quatro, Clube 700 e Na Hora H.


Título: Seja Feliz Hoje: o caminho do contentamento
Editora: Mundo Cristão
Ano: 2014
Páginas: 160
Avaliação do Skoob: 4.3
Avaliação do Blog: 3.5

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